Prefeitura de Fortaleza condena à morte ciclistas que pedalarem na BR-116

Ontem fomos surpreendidos com duas notícias: Uma era que Fortaleza ganhou o Prêmio de Transporte Sustentável de 2019 do ITPD (Institute for Transportation & Development Policy) e a segunda foi o projeto de requalificação da BR-116 após o processo de municipalização do trecho em Fortaleza.

De cara, sentimos falta de infraestrutura cicloviária no projeto da BR-116, desobedecendo completamente a Lei de Mobilidade Urbana nº 12.587/2012, fundamentada em alguns princípios como o de acessibilidade universal, desenvolvimento sustentável das cidades nas dimensões socioeconômicas e sociais, segurança nos deslocamentos das pessoas, equidade no uso do espaço público de circulação, vias e logradouros. A lei é clara no seu art. 6º, quanto à prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado.

Cadê a ciclovia? Vocês deveriam devolver o prêmio!

Fonte: Diário do Nordeste

A pergunta que ficou no ar quando vimos o projeto foi: Como as centenas de ciclistas que usam a BR-116 conseguirão se deslocar? A via já não é segura e muitos usavam o guardrail para se proteger… E agora, como fica? Não fica!

 

Para a SEINF o ciclista não existe!

Infelizmente a Prefeitura de Fortaleza está dividida, no quesito mobilidade, em dois setores que parecem não conversar entre si: a SEINF (Secretaria de Infraestrutura de Fortaleza) e o PAITT (Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito de Fortaleza). Uma ignora, em muitos dos seus projetos, uma parcela da sociedade que não utiliza carro com o antigo discurso de que “os carros não podem ser penalizados!” (frase proferida pelo antigo secretário, Samuel Dias), enquanto a outra tenta, à duras penas e sem muita força política, integrar e dar acessibilidade a pedestres e ciclistas para que tenham o direito de trafegar pela cidade com segurança.

Passamos por muitas obras “de mobilidade” nos últimos seis anos que esqueceram de priorizar os agentes mais frágeis do trânsito. Mais do que isso, obras que põem em risco a vida de cada cidadã e cidadão que, por opção ou falta dela, não utilizam o carro particular como meio de transporte. Como exemplo temos as obras do túnel da Santos Dumont e o viaduto superlotado de “Hotwheels” no cruzamento das avenidas Antônio Sales com Eng. Santana Júnior. Obras milionárias que desobedecem completamente uma lei federal e que parecem agradar o Ministério Público, já que nenhuma medida ou questionamento foi feito por ele.

Uma pena que uma cidade plana e de clima constante como Fortaleza esqueça, em suas principais obras, de incluir quem realmente precisa de segurança no trânsito. Mais do que isso: mostra que ou as outras cidades estão bem piores ou que o prêmio do ITPD foi dado sob uma avaliação inadequada sobre a real prioridade da Prefeitura de Fortaleza no quesito mobilidade.